segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Gás da Bolívia - Quando Economia e Política se Encontram


Imagem de Noël Zia Lee

Na crise do Gás Boliviano, no ano passado, ficou clara que a compra de Gás visava ajudar a Bolívia, numa jogada geopolítica de atrair o parceiro para a área de influência Brasileira. Naquele momento, o problema era o aumento do preço do produto, numa conjuntura de aumento de demanda. Agora, com a queda dos preços da comodity e do consumo nacional, o vizinho teve de, diplomaticamente, lutar para manter um valor mínimo de demanda e garantir as divisas para o país.

Segundo o que se lê na imprensa, o contrato com a Bolívia é "take-or-pay", ou seja, paga-se consumindo ou não. Assim, mesmo que país não precise, terá de comprar um volume mínimo. Isso mostra que a ideia sempre foi o de manter um consumo regular do combustível, um projeto energético e político para a América do Sul.

Não sei se o volume vai ser absorvido ou não pelo país, neste momento de retração, mas creio que mais uma vez fica claro que houve excesso de bondade no contrato, principalmente se consideramos o aspecto puramente econômico (parece até que o fornecedor é a Rússia) e mesmo levando-se em conta aspectos geopolíticos. Acho até que estamos no momento bom para nós, mas sabemos que quando a conjuntura virar, nossos hermanos não serão tão "diplomáticos".

O que o país tem de ter em mente é que o modelo de consumo diversificado de energia tem de valer pro bem e pro mal. Na bonança hídrica que vivemos, temos de arcar com o custo das térmicas, que representam investimentos, os quais queremos ver remunerados para usufruir no momento de escassez de chuvas. A maior estabilidade energética tem um custo, e o país escolheu, através de seus governantes, pagar o preço.

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