quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A Era do Petróleo Barato Acabou

O preço do petróleo está influenciado pela redução da demanda de um lado e pela redução da produção pela OPEP de outro. Enquanto nos EUA o preço cai, em Londres sobe. Hoje na casa dos $40, há um ano o mesmo estava em $84, tendo chegado a $150 em julho último.


Imagem de madaboutasia

Quando o petróleo ultrapassou a barreira dos $100 dólares muita gente atribuiu o fato à especulação do mercado de futuros, o que contaminava o mercado físico. O atual declínio dos preços, provocado pela crise de demanda, parece corroborar esse raciocínio. No entanto há aquela corrente que acredita que já atingimos o nosso pico de produção, o que iria afetar consequentemente o preço. Assim, o preço atual do petróleo seria uma ilusão, provocada pela crise, o que poderia levar a outra crise no futuro, não mais financeira, mas energética, resultado da escassez de petróleo e outras fontes de energia após a superação da crise atual.

Interessante que a questão não é simples: a queda nos preços inibe projetos de exploração de fontes energéticas mais caras como o óleo arenoso do Canadá, o Pré-Sal Brasileiro e mesmo o Álcool e o Biodiesel. Com isso as reservas são ainda mais consumidas por causa do petróleo barato) e sua reposição reduzida. No entanto, assim que a escassez se refletir nos preços os projetos acima se viabilizam.

O fato é que na área de energia o tempo de maturação dos projetos é grande. Se investimentos não forem feitos agora em aumento de eficiência energética e em desenvolvimento de alternativas, podemos no futuro ver os preços explodirem e a economia ser afetada por outra crise global. Assim, se por um lado não acredito nos catastrofistas do petróleo (já que há muitas áreas inexploradas, além do pré-Sal brasileiro) acho razoável o alerta da agência americana de energia (EIA) sobre um possível descasamento entre oferta e demanda global por energia, que poderia resultar em crise econômica mundial, preocupação que sempre existiu no Brasil, que vive com ameça de apagão ano após ano.

Fonte: Peak Oil News

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Crise e as Companias Petrolíferas

Estamos vivendo tempos difíceis, com todos meio perplexos e atentos para não serem surpreendidos pelas más notícias do mercado. A crise imobiliária americana acabou se espalhando pelo sistema financeiro como um todo e consequentemente pela economia real.

As companhias petroleiras, que têm ações na bolsa, viram seu valor de mercado despencar tanto pela saída dos investidores como pela queda dos preços do Petróleo, cujo valor era artificialmente mantido pelo mesmo mercado. Assim, as Petroleiras estão entre as maiores "vítimas" da crise mundial, o que poderemos ver nos relatórios trimestrais destas companhias, que já começaram a ser anunciados.

A redução do preço do petróleo, que já esteve próximo de 150 dólares (WTI) e agora está abaixo de 50 repercutiu no valor das reservas destas companhias. Além disso, a demanda por derivados também diminuiu. Assim, vamos ver um valor de óleo mais alinhado com o mercado físico e companhias anunciando prejuízos no último trimestre de 2008, após acumular lucros estratosféricos nos meses anteriores, surfando no alto preço do petróleo e de seus derivados.

São tempos de readaptação, mas são essas empresas, mais que quaisquer outras, que têm condição de investir os lucros de outrora para ajudar o mundo a sair do buraco.

Imagem de gussifer

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

UNIVEN - Nova Refinaria Nacional


Imagem de Erik J. Gustafson

Estava pesquisando no site da ANP e me deparo com uma descoberta: a UNIVEN Petróleo, uma refinaria nacional da qual nunca tinha ouvido falar. Pesquisei no Google e descobri seu site. Nele fico sabendo que
"Localizada na cidade de Itupeva (SP) e com uma área total de 400.000 m2, a Univen foi fundada em 1992 e adquirida pelo Grupo Vibrapar em 1997. Num primeiro momento passou a produzir hexano grau alimentício de alta qualidade. Em 2000 e 2001 ampliou seu parque industrial passando a produzir também outros solventes especiais.

Em 2003 a Univen recebe autorização para processar e refinar petróleos crus leves, condensado de petróleo, nafta e outras frações de petróleo para a produção de combustíveis e solventes, passando a ser denominada Univen Petróleo.

Esta licença foi concedida a Univen Petróleo após a realização de vários testes de produção nos laboratórios de nossa unidade industrial quando foi atestada a capacidade técnica de nossa empresa para produzir gasolina e diesel dentro dos padrões nacionais.
"
Portanto a refinaria não é tão nova assim. Mas para mim era. O que me chama a atenção é o surgimento de uma refinaria nacional, fora da Petrobras, justamente no período que as duas únicas refinarias nacionais históricas, a de Manguinhos e a da Ipiranga, praticamente deixaram de funcionar em função do aumento do preço do petróleo e das exigências de combustíveis, particularmente o Óleo Diesel com baixo enxofre. Embora pouco significativo em termos de volume no mercado nacional, talvez com a queda no preço do Petróleo ela cresça no mercado quase totalmente dominado pela Petrobras e algumas centrais petroquímicas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Investimentos Seguem Apesar da Crise II


Imagem de rob_slva

O Comperj e Refinaria Abreu Lima (de Pernambuco) foram confirmadas pelo diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O interessante é que no caso da Refinaria Pernambucana há a ameaça de que PDVSA não participe do empreendimento. A Petrobras, que tem todo o interesse de dividir o risco do projeto com a estatal venezuelana, aforma que tocará o projeto com ou sem parceiro, o que é uma posição correta para quem negocia os termos da parceria.

O certo é que há no país muita desconfiança quanto aos negócios, particularmente os que envolvem Petrobras e Vale, duas empresas que sofreram bastante com a crise e a desvalorização do Petróleo. O discurso é de que está tudo mantido, mas como disse no post anterior, mais importante mesmo é a prática. No caso da refinaria há pelo menos informação de que obras foram iniciadas e há, como no caso do Rio, forte pressão política para realização dos projetos.

Investimentos Seguem Apesar da Crise


Terminal Portuário de Pecém, imagem de Capt. Luz

Com a crise mundial, muitas empresas tiveram que rever seus planos de investimentos. Apesar da crise, no Ceará o projeto de Refinaria Premium e da Usina Siderúrgica, que são do meu tempo de estudante secundarista, continuam "vivos". Eu diria que tão vivos quanto sempre estiveram. No caso da siderúrgica, a situação interessante é que a Vale acabou de cancelar outro projeto semelhante no Espírito Santo, pela desistência do investidor parceiro, aumentando a importância do projeto no Ceará.

O que sei é que projetos que estão em fase de planejamento podem ser postergados por bastante tempo, agregando-se mais estudos após o outro, atualizando informações que perdem a validade pela demora da implementação, dando a impressão de que o projeto está vivo, mas na prática está mesmo é parado, levado em "banho-maria".

Para o bem do meu estado natal, espero que o otimismo da reportagem se confirme logo.

Fonte: O Povo